Por Silvia Marcuzzo, especial para a Envolverde
O IV Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, realizado de 17 a 19 de novembro de 2011 no agradável campus da PUC-RJ, na Gávea, foi um sucesso. Disso ninguém pode duvidar. Mas eis que ouso relacionar outros lados, detalhes e situações do evento. Sinto-me à vontade para isso porque venho acompanhando a evolução do CBJA desde sua primeira edição, em Santos (SP), em 2005. Na sua segunda edição, em Porto Alegre (RS), em 2007, estive do outro lado do balcão. Sei muito bem a trabalheira que é montar um encontro desse porte. Só não estive em Cuiabá (MT) dois anos depois.
Apesar do Rio de Janeiro continuar lindo, parodiando o mestre Gil, o sol não deu as caras nos três dias de evento. Acho que isso até foi bom por um lado, pois acho que ninguém titubeou em trocar a praia pela programação. Aliás, o maior problema era justamente conseguir acompanhar tanta coisa interessante tudo-ao-mesmo-tempo-agora.
O melhor de tudo foi conhecer e encontrar tanta gente legal que faz acontecer e trabalha com jornalismo ambiental em tantos lugares diferentes do Brasil. Durante as conversas, foi possível ver como há profissionais corajosos que atravessaram o Brasil e estão desbravando pautas de forma independente, sem qualquer veículo bancando.
É claro que, juntando um monte de jornalistas, fica-se sabendo de muitas coisas de bastidores. Para mim, o pior de tudo foi saber que o brilhante Marcos Sá Corrêa, editor da revista Piauí, um dos criadores do portal O ECO e dono de um invejável currículo profissional, está se recuperando muito mais devagar do que se podia imaginar. Ele sofreu uma queda da escada de ferro da sua casa e bateu com a cabeça em um degrau no dia 9 de fevereiro deste ano. Sua ausência está provocando um grande impacto ambiental. Ele apontou muita coisa que ninguém ousou contar.
Agora O ECO está sob a batuta do “menino prodígio”, com todo o respeito, Gustavo Faleiros. Menino porque é um guri, não sei se ele tem 30 anos. Prodígio porque consegue furos, vê notícia onde ninguém enxerga e ainda por cima contou que leu todo o relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), o que lhe rendeu uma salva de palmas dos participantes da oficina que a Maura Campanili e eu proferimos. Aliás, ele e a Karina Miotto deram relatos significativos do fazer jornalístico e da luta de manter seus projetos na web em alto nível em outras oportunidades, como rodas de conversa, oficinas e mesmo em mesas de bar.
Outra história interessante nesses tempos de mídia digital foi conhecer o pai de um menino de 12 anos que fez um blog sobre a Turma da Monica jovem. O garoto conseguiu a proeza de conseguir uma reunião e conversar cinco horas ao vivo e em cores com o Mauricio de Souza. O pai do rebento, Alan Dubner, que abandonou a “selva de pedra” paulistana por um condomínio em Itu, no interior paulista, orgulha-se do que considera o mais inusitado. Seu filho estava com receio de deixá-lo desapontado depois de tanta repercussão do seu blog. Um certo dia, chegou, meio sem jeito, para o pai e perguntou se ele iria ficar chateado se ele deixasse de lado a empreitada, que no final já tinha rotinas de trabalho etc, e que estava ficando “muito chato”. Incrível!
Dúvidas e certezas
Como quero que muitos encontros como esses se sucedam, aponto algumas questões para serem consideradas. Especialmente porque não foi decidido AINDA onde será o próximo congresso. Para quem não sabe, esse evento é realizado de dois em dois anos, só que nesse ano foi antecipado por causa da Rio+20, programado para junho de 2012. A turma dos “Envolverdes” e das garotas “que só deixam PEGAdas” arrasou. Ana Maria Vasconcelos (para quem não sabe, o braço direito e esquerdo do Dal Marcondes – a cabeça continua sendo dele -, o organizador do evento) não enlouqueceu desta vez e ficou com voz até o último passageiro embarcar. Ufa!
O IV CBJA foi realizado na PUC com alguns gastos na locação de espaço. Mesmo assim, vários pontos que foram acertados com antecedência não foram cumpridos pela universidade, a começar pelas salas das oficinas. Muitas vezes a organização teve que buscar outros locais durante a programação. A sinalização também foi precária. Creio que faltou um certo entrosamento entre cariocas e paulistas…
Com perdão aos engenheiros, mas não deve ter passado por algum arquiteto a execução dos banheiros do Auditório Padre José de Anchieta. Para nós, representantes do sexo feminino, o tamanho do recinto quase não permitia que se sentasse no vaso. Da primeira vez que fui, logo me passou pela cabeça: será que a PUC do Rio tem alguma relação com a PUC gaúcha? Como as duas são diferentes… Fiquei a fim de investigar porque uma é tão rica, cheia de infra, e outra tão pobrezinha, apesar de estar encravada no meio de uma maravilhosa Mata Atlântica.
Mas o mais surpreendente foi a ausência dos estudantes de comunicação da PUC. Mesmo com o multimega professor André Trigueiro participando, não vi a presença de qualquer aluno. Legal foi ver uma professora paraense com uma turma de acadêmicos de jornalismo da Universidade Federal Rural do Rio na oficina.
Enfim, depois desse Congresso, acho que muitos voltaram para casa com corações e mentes diferentes. Em busca de estratégias para mídias digitais, atrás de gente para dividir e colocar seus sonhos em prática ou quem sabe preparando um destino brasileiro para a próxima viagem, rumo à desconhecida Amazônia.

















Parabéns pela participação no Congresso e pelo teu engajamento!
Beijos da tua “chará”!